Dia da Árvore: natureza, território e ancestralidade
Preservar as árvores também é preservar histórias, culturas e territórios. Neste Dia da Árvore, convidamos à reflexão sobre os significados que a natureza assume para diferentes povos e comunidades e sobre a importância de compreender essas relações nos estudos socioambientais.
Gabriela Greis
9/21/20261 min ler


O Dia da Árvore é celebrado em 21 de setembro, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de preservar as riquezas naturais. É de conhecimento comum que as árvores possuem incontáveis utilidades (de madeira a frutos, paisagismo etc.) e benefícios aos ambientes urbanos e naturais. Em povos e comunidades tradicionais, é muito comum a relação estreita com os ambientes onde habitam ser marcada por espécies arbóreas através do extrativismo, de rituais ou de marcas de territorialidade.
Em muitas cosmovisões tradicionais, as árvores possuem caráter sagrado e ancestral. Elas marcam territórios, contam histórias e integram de forma indissociável a vida humana e o meio ambiente. Nossa equipe teve oportunidade de conhecer um exemplo ao conduzir um Estudo de Componente Quilombola, onde foi relatado pelos comunitários o uso do território no contexto religioso.
Nesta comunidade quilombola, no âmbito das religiões de matriz afro, é comum a realização das práticas e rituais nos lares dos comunitários e o uso de pontos sagrados (locais com vegetação nativa, como gameleiras, também rochas e riachos) utilizados para rituais e oferendas. No entanto, identificamos durante as conversas com os moradores que estes pontos sagrados não são locais fixos, podendo ocorrer em todo o território, sendo escolhidos no momento do ritual religioso. A gameleira é uma árvore de grande porte (também conhecida como figueira, gênero Ficus sp.) considerada sagrada, qualquer gameleira presente no território pode ser utilizada como ponto de rituais e oferendas aos orixás.
Para quem trabalha com consultoria socioambiental, conhecer essas histórias que mesclam cultura e ancestralidade e a relação de povos com seu meio ambiente se traduz em oportunidade de perceber a natureza muito além de mera paisagem ou conjunto de espécies. É um convite à reflexão constante de que nós, enquanto humanidade, somos parte do ecossistema e não um componente isolado da biosfera.
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