Agosto Dourado: aleitamento materno e agenda ESG

O apoio ao aleitamento materno também pode fazer parte das estratégias ESG das empresas. Neste artigo, exploramos como iniciativas de acolhimento às mulheres lactantes se relacionam aos pilares Social, Ambiental e de Governança, além de apresentarmos ações práticas que podem contribuir para ambientes de trabalho mais inclusivos, saudáveis e sustentáveis. Leia (...)

Gabriela Greis

8/26/20262 min ler

O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado, dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A cor dourada simboliza o “padrão ouro” de qualidade do leite materno, alimento especialmente adaptado às necessidades do bebê. No Brasil, a mobilização foi instituída pela Lei nº 13.435/2017 e busca promover ações de incentivo, proteção e apoio à amamentação.

Em ambientes corporativos, o apoio ao aleitamento materno vai muito além do cumprimento da legislação trabalhista via licença maternidade. Adotar medidas de apoio ao aleitamento para colaboradoras lactantes é uma estratégia importante na agenda ESG (Environmental, Social and Governance) das empresas. Promover a amamentação se conecta com os três pilares ESG e essas iniciativas impactam positivamente toda a sociedade.

O pilar social possui maior sinergia com a causa, visto que o acolhimento à lactante está inserido nas políticas de direitos humanos e relações de trabalho das empresas. Iniciativas de apoio ao aleitamento previnem que a maternidade não interrompa uma trajetória profissional, evitam o desligamento precoce de mulheres pós licença e incentivam a produtividade. Além disso, é sabido que o aleitamento materno reduz a chance de mortalidade neonatal, protege a saúde da mulher contra o câncer de mama e ovários e reduz a incidência de doenças nos bebês.

O aleitamento materno também possui um viés ambiental, sendo considerado um sistema de alimentação natural e sustentável. O leite materno não necessita de embalagens plásticas, transporte logístico poluente ou processos industriais, ao contrário das fórmulas infantis, portanto possui uma pegada ecológica neutra. O pilar governança é conectado com o cumprimento legal rígido, por parte da corporação, das legislações que garantem os direitos das trabalhadoras e das políticas de responsabilidade corporativa, fomentando uma cultura de conformidade legal.

Visando promover os benefícios do aleitamento materno para toda a sociedade, as empresas podem e devem estruturar um programa eficiente com ações práticas, tais como: campanhas de conscientização, normalizando o tema para toda a equipe; prorrogar a licença-maternidade de 120 para 180 dias, garantindo maior tempo de aleitamento exclusivo em casa; instituir modelos de trabalho híbridos ou horários flexíveis nas primeiras semanas de retorno da lactente ao trabalho; treinar gestores para eliminar microagressões e cobrar metas adequadas à realidade da profissional que retorna da licença; criar espaços privativos, confortáveis e higiênicos que permitam a extração e o armazenamento correto do leite durante o expediente.

Apoiar o aleitamento materno no ambiente corporativo é, portanto, uma forma concreta de transformar os compromissos ESG em práticas que geram impactos positivos para as pessoas, para o meio ambiente e para a própria organização. Mais do que atender às exigências legais, empresas que acolhem a maternidade e oferecem condições adequadas para a continuidade da amamentação contribuem para relações de trabalho mais justas, para a saúde das famílias e para uma cultura organizacional baseada em respeito, inclusão e responsabilidade socioambiental.

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